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domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Segunda Multiplicação de Pães e Peixes

Mc.8.1-10.

É possível ter fé e fome ao mesmo tempo?

A fé consiste num tipo de fome. A mesma fome que permite que mais de quatro mil homens, fora mulheres e crianças passem três dias ouvindo Jesus no deserto. É fome da alma. E por se aproximar justamente de homens famintos, o discurso de Jesus para eles não pode ser outro a não ser sobre comida e fartura. Ele é o alimento, o pão que desceu do céu para saciar a nossa fome de Deus. Em seu reino, há festa, com uma grande mesa e um grande banquete. Mas Jesus não se contenta em saciar a fome da alma. Ele se preocupa com a fome do corpo também. E realiza o milagre. Ele ensina que a nossa fome de Deus não pode ser igual a nossa fome de pão.

É possível ter fé e fome ao mesmo tempo? Não, não é possível. O irônico nessa afirmação consiste hoje em dia, em não ser um argumento do pobre para não ser crer em Deus, mas sim do rico. Se um morador de rua se negasse a crer em Deus, compreenderia perfeitamente. Todavia, é justamente o rico que se nega a crer, por um problema que ele ajudou a criar. Homens assim, por um breve momento de peso na consciência costumam se indagar: “Porque tanta injustiça no mundo? Porque tanta fome e miséria? Porque tanta exploração?” E para conseguirem dormir tranqüilos, respiram fundo no travesseiro e dão fim à questão: “É, Deus realmente não existe”. É muito mais simples pensar que Deus não existe diante da realidade do mal, a fim de que eu consiga dormir tranqüilo, como se o problema estivesse resolvido, quando não está.

O pobre, que não está acostumado a fazer esse tipo de reflexão, vê cada gesto gratuito de bondade como um milagre. E por isso agradece, a Deus e aos homens. O rico, justamente por ter tudo o que quer, na sua vida não há espaço para o milagre, porque o milagre somente acontece quando somos alvos da solidariedade. Max dizia que a religião era o ópio do povo (logo, um instrumento para se aliviar a dor diante da vida) e que Deus era um artifício criado a fim de que os mais ricos dominassem os mais pobres e os tornassem conformados em sua condição. Um Deus que salva o pobre. Não o torna rico, o torna digno. Ser rico é ser parte da estrutura por onde impera a injustiça. Ser pobre é ser vítima dessa injustiça. Ser digno é ser um instrumento que destrói a estrutura de leis injustas e corruptas que sacrificam o pobre. É ser livre. É multiplicar poucos pães e peixes.

Um comentário:

Max Diniz Cruzeiro disse...

Conto: Pães e Peixes

Morávamos em Amman 30 anos antes de Cristo. Tínhamos por hábito participar no primeiro solstício da primavera da tradicional reunião Judaica de Asaph onde coletávamos de todos um pouco de alimento para depois que um ilustre homem da palavra nos abrilhantava com seu conhecimento e dom profético.

A cada novo solstício éramos orientados a levar cada vez menos alimentos com o intuito de fazermos um jejum para purificar a carne. E ocorreu que neste ano havíamos conseguido reunir apenas 5 pães (1 kg cada pão) e dois peixes (tamanho grande para uma família cada um). A multidão era enorme. Ao todo se calculavam algo em torno de 4.000 pessoas. Foi aí que um grande mestre da palavra nos fez refletir desta vez sobre nossa própria saciedade em receber a palavra e não compartilhar com os demais.

Pode o homem se ausentar do seu dever? Pode o homem receber a palavra e não compartilhar o ensinamento? Pode o homem alimentar uma multidão apenas com estes pães e estes peixes que trouxeram? Ninguém sabia a resposta. Ninguém conseguia ver o que estava por trás de tanta sabedoria. Então o homem ordenou que dividissem entre todos e em comunhão a partilha das oferendas.

Os murmúrios de que o mestre da palavra estava insano prosperaram... Ninguém queria acreditar... até que ele ordenou que de Amman viesse um caldeirão cujo uso era para grandes celebrações de casamento.

E ao chegar, ordenou que ralassem os pães e desse cozimento ao peixe, para depois depositá-lo em 600 litros de água dentro do recipiente. Pediu para que as crianças entrassem na relva e colhessem ervas. E foram mais 10 kg de ervas. Ao final havia bastante alimento para todos. O caldo alimentou enquanto a palavra fora compreendida.

E todos se regozijaram... se fartaram em bonança, e permanecem sem fome até que a hora da partida levaram todos de volta a Amman.

Max Diniz Cruzeiro
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