Seguidores

sábado, 9 de março de 2013

Provocações Filosóficas lll - O Caso " Feliciano"



Houve uma época em que o campo e a cidade representavam valores antagônicos. Esse tipo de antagonismo está presente até mesmo na bíblia. No Brasil isso começou a mudar com a modernização das capitais (do Rio de Janeiro na década de 30 e criação de Brasília, na década de 60). De lá pra cá, o Brasil passa por uma crescente modernização. As cidadezinhas do interior têm acesso a luz, rede de esgoto, televisão e internet. Isso altera e muito a imagem e a mentalidade do homem do campo. Mas esse homem do campo que pensa como o homem da cidade, de maneira que ambos são indicerníveis, tal como são indicerníveis o urbano do rural,  em muitas regiões de Brasil atualmente, não encontram seu maior exemplo na geração de nossos pais, mas sim nos filhos deles. Nossos pais são homens do campo que vivem na cidade. Claro que afirmo isso de forma metafórica para alguns e literal para outros. Analisando a biografia do deputado Marco Feliciano, de origem humilde no interior de São Paulo, e de como transformou sua fé cristã pentencostal  em trampolim político e deste para a presidência da comissão de direitos humanos da câmera dos deputados, é possível, pelo menos em parte, definir como se formou sua mentalidade. Isso não significa justificá-la. Significa compreender como se formou sua mentalidade. O que faz Feliciano objeto de horror para muitos cidadãos brasileiros, incluindo cristãos, se estabelece numa diferença de mentalidade, em tempo e lugar. Pior ainda quando essa diferença torna-se explícita diante de um cargo político, pois as mentalidades, sejam elas quais forem, particularmente de políticos, colaboram para a criação de projetos de leis que se destinam a uma infinidade de outras pessoas. Pelo menos em teoria, não se pode usar a própria mentalidade para a criação de leis: isso é tirania. O embate está ai: uma mentalidade contra a outra, mais do que isso, o que uma mentalidade pode fazer com a outra, já que está no poder, e isto não tem nada a ver com fé religiosa, mas sim com valores culturais engessados pelo literalismo da cultura, da religião, da vida. 

Nenhum comentário: